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title: "Como ler os símbolos de uma carta náutica"
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excerpt: "Da sonda à luz e ao losango de corrente: encontrar a entrada certa, ler os dados e distinguir as convenções internacionais e nacionais."
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## 01Um símbolo é uma entrada para mais informação

Para interpretar um símbolo de uma carta náutica, é preciso identificar a sua forma, ler as letras e os números que o acompanham e confirmar a convenção usada nessa carta. O *U.S. Chart No. 1* ajuda nesta consulta; nas cartas portuguesas em papel, a referência é a publicação **10Z01 — Símbolos e Abreviaturas**, do Instituto Hidrográfico, versão portuguesa da INT 1.

Uma sonda, uma linha isobatimétrica, a característica de uma luz e um símbolo de corrente comunicam coisas diferentes. Não basta reconhecer o desenho: a unidade, o plano de referência, a posição e as notas da carta completam o significado.

Este guia usa a coluna internacional do *U.S. Chart No. 1* e situações inventadas para explicar essa leitura. Não é uma carta de uma zona real nem reproduz todos os símbolos do catálogo.

![Três consultas distintas: sondas na secção I, luzes na secção P e dados de corrente na secção H do catálogo de símbolos.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-carta-guia-consulta-1200.webp)

Esquema próprio de consulta. I, P e H são letras de secções; não são instruções de navegação nem símbolos que apareçam todos juntos numa carta.

## 02Começar pelo título e pelas notas da carta

Antes de atribuir um significado a um número, vale a pena conhecer a carta onde ele está impresso.

- **Unidades e referência vertical.** Confirmar em que unidades estão as sondas e a que plano se referem. Não transportar automaticamente os metros e o ZH portugueses para uma carta norte-americana, que pode usar outras unidades e outro datum.
- **Escala.** Uma carta de maior escala mostra, em regra, mais pormenor da mesma área: 1:20 000 é uma escala maior do que 1:100 000. Ampliar uma imagem não acrescenta levantamentos nem detalhe que não existia.
- **Edição, correções e notas.** Uma legenda corretamente interpretada não atualiza uma carta antiga. Para Portugal, consultar também os [Avisos aos Navegantes do IH](https://avisos.hidrografico.pt/) e a informação aplicável ao local.
- **Referência horizontal.** Verificar o datum indicado, sobretudo ao relacionar posições da carta com um sistema de posicionamento.

A cor ajuda a organizar a leitura, mas não declara uma passagem segura. O tom de azul, por si só, não informa o resguardo disponível para uma embarcação.

## 03Escolher a secção e a coluna certas

O PDF fornecido é a **13.ª edição, de 15 de abril de 2019**. A introdução distingue as colunas **INT**, NOAA, NGA e ECDIS. A coluna INT apresenta a representação internacional; as outras podem mostrar variantes nacionais ou uma apresentação eletrónica diferente. Uma coluna NOAA vazia não significa que o objeto não existe: pode significar que é usado o símbolo INT.

| O que se quer compreender | Onde procurar |
| --- | --- |
| Título, escala, posições e direções | A e B |
| Marés e correntes | H |
| Sondas e linhas isobatimétricas | I |
| Natureza do fundo | J |
| Rochas, naufrágios e obstruções | K |
| Luzes; boias e balizas | P; Q |
| Áreas, limites e condições indicadas | N, em conjunto com as notas |

O código junta a letra da secção ao número da entrada. Por exemplo, **H46** identifica uma posição com dados de corrente tabulados; **I10**, uma sonda na sua posição. Estes códigos servem para encontrar a explicação no catálogo: não são valores de profundidade ou de corrente.

## 04Uma sonda de 3,2 m não é a profundidade a qualquer hora

Numa carta didática com sondas em metros e decímetros, referidas ao ZH · Valores fictícios

Encontramos um **3 com um 2 mais pequeno e rebaixado**. Neste contexto, lê-se **3,2 m**: três metros e dois decímetros, não 32 m. É a sonda reduzida nesse ponto.

![Na convenção de metros e decímetros, uma sonda com 3 e um 2 pequeno rebaixado lê-se 3,2 metros; com altura da maré de 1,4 metros, a profundidade do exemplo é 4,6 metros.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-carta-sonda-decimetros-1200.webp)

Representação própria de uma sonda em metros e decímetros. O resultado só vale para as unidades, o local e o datum declarados; não se aplica a cotas de secagem, que têm outra convenção.

1. **Ler o valor e a referência.** A sonda reduzida é 3,2 m abaixo do ZH neste cenário.
2. **Juntar a altura da maré no mesmo local e instante.** Admitindo 1,4 m acima do mesmo ZH, a profundidade é **3,2 + 1,4 = 4,6 m**.
3. **Separar o que o cálculo diz do que falta saber.** Os 4,6 m são a profundidade do modelo. Não são uma garantia de resguardo sob a quilha: faltam o calado e as condições relevantes para essa avaliação.

Uma **linha isobatimétrica** une pontos de igual sonda reduzida. Não é uma margem de segurança pessoal. A forma e a densidade das linhas ajudam a ler o relevo, mas não revelam, por si só, a existência ou inexistência de todos os perigos entre sondas.

O tema está desenvolvido em [Zero Hidrográfico, sonda reduzida e profundidade](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/zero-hidrografico-profundidade/)
. Referências de consulta: H20, I10 e I30–31.

## 05Uma letra do fundo não substitui o símbolo de um perigo

Na coluna internacional da secção J, **S** indica areia, **M** lodo e **R** rocha ou fundo rochoso. Estas abreviaturas descrevem a natureza do fundo; não demonstram, sozinhas, que um local tem profundidade suficiente ou boas condições de fundeio.

Uma rocha que cobre e descobre, uma rocha à flor de água no datum e uma rocha submersa de profundidade desconhecida têm entradas diferentes na secção K. Pequenas diferenças de desenho e de números podem alterar a leitura. Quando surgir dúvida, consultar a entrada completa em vez de reduzir todos os símbolos a «há uma rocha».

Também há indicações de incerteza: **SD** identifica uma profundidade duvidosa e **Rep** algo comunicado mas não confirmado, nas entradas respetivas da secção I. Um número impresso não elimina automaticamente essa ressalva.

O contexto decide o significado: R junto de uma característica luminosa indica vermelho; na natureza do fundo, R pode indicar rocha. Ler a letra sem o conjunto pode levar à interpretação errada.

## 06Ao encontrar «Fl(2) R 6s 8m 5M»

Característica luminosa inventada para explicar a leitura · Não identifica um farol real

A sequência mistura ritmo, cor, tempo, altitude do plano focal e alcance. Lê-la por partes evita confundir grandezas.

![Fl(2) significa grupo de dois relâmpagos; R, vermelho; 6s, período completo de seis segundos; 8m, altitude do plano focal de oito metros; 5M, alcance nominal de cinco milhas náuticas.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-carta-caracteristica-luz-altitude-v2-1200.webp)

Característica fictícia, decomposta segundo as entradas P10.4 e P11–16. O m minúsculo e o M maiúsculo representam grandezas e unidades diferentes.

1. **Fl(2): grupo de dois relâmpagos.** O padrão repete grupos de dois; não é uma luz continuamente acesa.
2. **R: vermelho.** Aqui a letra descreve a cor da luz, não a cor de uma boia nem a natureza do fundo.
3. **6s: período completo.** Os seis segundos incluem o conjunto dos relâmpagos e dos intervalos de obscuridade do ciclo. Não são a duração de cada relâmpago.
4. **8m: altitude do plano focal.** São oito metros entre o plano focal da luz e o plano de referência para alturas indicado na carta. Não é uma sonda nem a altura da torre; na Lista de Luzes portuguesa, a altitude do plano focal é referida ao nível médio do mar.
5. **5M: alcance nominal.** São cinco milhas náuticas de alcance nominal; não uma promessa de visibilidade a essa distância em quaisquer condições. A visibilidade meteorológica e a geometria de observação também contam.

O resultado da leitura é uma luz vermelha, com grupos de dois relâmpagos num ciclo de seis segundos, altitude do plano focal de oito metros acima do datum de alturas e alcance nominal de cinco milhas náuticas. Para identificar uma luz real, é preciso confrontar a posição e as informações atualizadas, não apenas uma parte do ritmo.

## 07O losango A remete para uma tabela, não indica uma direção

Numa carta didática com um ponto de corrente e um excerto de tabela · Dados fictícios

O pequeno losango com uma letra, na representação internacional **H46**, marca a posição a que correspondem dados tabulados de corrente de maré. A letra A permite encontrar esses dados na tabela. O losango não é uma seta; não diz para onde a água corre.

![Um losango magenta com A remete para a tabela A; no excerto fictício PM mais uma hora, direção 000 graus, a corrente corre para norte, com 2,0 nós em águas vivas e 1,2 nós em águas mortas.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-carta-losango-corrente-1200.webp)

Esquema próprio baseado em H46. Excerto de tabela inventado, não operacional: a leitura real exige a tabela completa, o porto de referência e as suas instruções.

1. **Localizar o ponto A e a tabela correspondente.** Não usar os dados de outro losango só por estar próximo.
2. **Ler a referência de tempo.** Se a tabela usa horas relativas à preia-mar num porto de referência e a linha é PM + 1 h, conta-se uma hora depois dessa preia-mar. Não é necessariamente a preia-mar no próprio ponto A.
3. **Ler a direção.** A tabela fictícia deste exemplo usa direções verdadeiras: 000° indica corrente **para norte verdadeiro**. Numa publicação real, confirmar a referência direcional declarada.
4. **Ler a coluna de velocidade.** A linha mostra 2,0 nós em águas vivas e 1,2 nós em águas mortas. Não se escolhe uma coluna ao acaso: as condições da data e as instruções da publicação orientam a utilização dos valores.

Neste exemplo, a posição vem do losango; o sentido, a velocidade e o momento vêm da tabela. Uma altura de maré não substitui esta informação de corrente. Para aprofundar, consultar [maré, corrente e estofo](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/mare-e-corrente/)
.

Se se acrescentar à carta uma nota «vento de NO», essa nota é informação meteorológica do planeamento: o vento **vem de noroeste**. Não se confunde com a corrente «para norte» nem com um símbolo hidrográfico impresso. O [artigo sobre proa, rumo e abatimento](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/proa-rumo-abatimento/)
 explica a diferença entre os efeitos.

## 08A mesma informação pode ter outra apresentação no ecrã

O *U.S. Chart No. 1* coloca lado a lado simbologia de papel e de ECDIS. Em ECDIS, a apresentação de certos perigos depende das configurações do sistema; informação adicional pode ser obtida por consulta do objeto. Uma aplicação de recreio pode usar ainda outra apresentação. Não assumir que cada símbolo no telemóvel corresponde visualmente a uma coluna ECDIS do catálogo.

As particularidades nacionais também contam. O documento apresenta, por exemplo, diferenças entre as regiões A e B do sistema de balizagem IALA. Portugal está na região A; a maior parte das águas norte-americanas está na região B. Não transportar a regra de cores das marcas laterais de uma região para a outra. A identificação requer a convenção e o sentido de balizagem aplicáveis, não apenas a frase «vermelho à direita».

Uma forma prática de consultar é: identificar o objeto; encontrar a entrada; escolher a coluna aplicável; ler números, unidades e notas; relacionar o significado com a carta e a informação local atualizada. A interpretação do símbolo é uma parte da leitura da carta, não uma decisão completa de passagem.

## Fontes e referências

- [NOAA / NGA · U.S. Chart No. 1](https://nauticalcharts.noaa.gov/publications/us-chart-1.html) PDF fornecido: 13.ª edição, 15/04/2019, 134 páginas. Introdução e organização, pp. 5–8; título e notas, pp. 10–11; marés/correntes H20 e H31–46, pp. 41–43; sondas I10/I15 e linhas I30–31, pp. 45 e 48; fundo J, p. 49; perigos K, pp. 53–54; luzes P10.4 e P11–16, pp. 80 e 82–83; balizagem, p. 6 e apêndice, pp. 128–129. As páginas indicadas coincidem com a numeração do PDF consultado.
- [Instituto Hidrográfico · 10Z01 — Símbolos e Abreviaturas](https://loja.hidrografico.pt/produto/simbolos-e-abreviaturas/) Referência portuguesa da INT 1 para interpretar as cartas em papel do IH. A página oficial identifica o âmbito da publicação; não foi usada como se disponibilizasse o seu conteúdo integral.
- [Instituto Hidrográfico · Cartografia Náutica](https://www.hidrografico.pt/paginas-genericas/dt/dhi/cartografia/cartografia-nautica/) Contexto das cartas portuguesas e das profundidades referidas ao ZH.
- [Canadian Hydrographic Service · Chart 1, secção H](https://www.charts.gc.ca/publications/chart1-carte1/sections/h-tides/tidalstreams-eng.html) Conferência independente do significado internacional H46.
- [Instituto Hidrográfico · Avisos aos Navegantes](https://avisos.hidrografico.pt/) Consulta de alterações e informação local; não se afirma que os dados inventados deste artigo descrevem uma situação real.

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## Continue a explorar

[ZH, sonda reduzida, altura da maré e profundidade →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/zero-hidrografico-profundidade/)
[Maré e corrente: compreender o nível e o movimento da água →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/mare-e-corrente/)
[Proa, rumo e abatimento: o efeito do vento e da corrente →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/proa-rumo-abatimento/)

Preparação editorial: Treino de Mar, com consulta das fontes indicadas. Exemplos didáticos; não representam previsões ou autorização para sair para navegar com uma embarcação.

[Ver todos](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/)
