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title: "Como ler as luzes de faróis, boias e balizas"
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excerpt: "Leia o ritmo, a cor e o período de uma luz. Distinga altitude e alcance e relacione a característica luminosa com o farol, a boia ou a baliza."
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## O que a luz diz — e o que é preciso procurar na carta

A legenda de uma luz pode indicar o ritmo, a cor, o período, a altitude do plano focal e o alcance nominal. Nas boias e balizas, a característica luminosa deve ser lida com a posição, a forma, as cores e a marca de tope. Reconhecer uma sequência de luz não basta para escolher o bordo de passagem.

Ao anoitecer, duas luzes podem parecer semelhantes à primeira vista. A cor, a sequência e o tempo até à repetição ajudam a distingui-las. A carta e a Lista de Luzes permitem confrontar o que se observa com a ajuda à navegação procurada.

Uma **boia** é uma marca flutuante; uma **baliza** é fixa. Ambas podem ter luz. Num farol, numa boia ou numa baliza, a luz tem uma característica que descreve a sua apresentação. Essa descrição não indica, por si só, a distância a que estamos nem o caminho a seguir.

Este cartão aprofunda a leitura iniciada no [guia de símbolos da carta náutica](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/simbolos-carta-nautica/)
. As características dos faróis e boias usados nas situações seguintes são fictícias; o padrão da cardinal sul é normalizado. As durações individuais dos esquemas de tempo são escolhidas para explicar os conceitos, sem representar uma ajuda real.

## Separar cinco informações

| Campo | O que comunica |
| --- | --- |
| Ritmo e agrupamento | Como se alternam luz e obscuridade e, quando aplicável, quantas emissões formam um grupo. |
| Cor | W: branco; R: vermelho; G: verde; Y: amarelo, na notação internacional. |
| Período, em s | Duração de um ciclo completo, incluindo luz e obscuridade. |
| Altitude do plano focal, em m | Distância vertical entre o plano focal da luz e o datum de alturas. Na Lista de Luzes portuguesa é referida ao nível médio do mar. |
| Alcance nominal, em M | Alcance luminoso convencionado para uma visibilidade meteorológica de 10 milhas náuticas. |

**Altitude do plano focal não é altura da torre.** Uma estrutura baixa sobre um promontório pode ter uma luz a grande altitude. Também não é a profundidade da água. Numa legenda curta de boia, pode não constar a altitude: a ausência desse campo não transforma o alcance em metros.

A letra faz diferença: **m** indica metros e **M** indica milhas náuticas nesta notação. O número entre parênteses pertence ao grupo: em **Fl(3)**, conta três relâmpagos, não três segundos.

![Legenda fictícia Fl(3) W 15s 45m 18M dividida em grupo de três relâmpagos, luz branca, período de quinze segundos, altitude do plano focal de quarenta e cinco metros e alcance nominal de dezoito milhas náuticas.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-luzes-legenda-farol-1200.webp)

Leitura dos cinco campos de uma característica fictícia. Os mesmos dados são explicados no texto; o alcance não é a distância da embarcação ao farol.

## Ler o ritmo sem confundir o grupo com o período

 **F — fixa**Luz contínua com intensidade constante, na classificação da característica.

 **Fl — relâmpagos**A duração total da luz no ciclo é menor que a da obscuridade. Fl(3) indica grupos de três relâmpagos.

 **Oc — ocultações**A duração total da luz é maior que a da obscuridade.

 **Iso — isofásica**As durações de luz e obscuridade são iguais.

 **Q / VQ — cintilante / cintilante rápida**Q corresponde a uma frequência de 50 a 79 cintilações por minuto; VQ, de 80 a 159. Nas luzes agrupadas, essa frequência caracteriza a sequência de cintilações, não uma divisão do número do grupo pelo período completo. O grupo e o período continuam a ser importantes.

 **LFl — relâmpago longo**A emissão luminosa dura pelo menos dois segundos. Pode surgir combinada com um grupo.

 **Al — alternada**A luz apresenta cores diferentes sucessivamente, na mesma direção de observação. Não confundir com setores de cores diferentes, observados de direções diferentes.

 ![Comparação de luz fixa contínua com ocultações, isofásica e relâmpagos em ciclos fictícios de oito segundos: seis, quatro e um segundo de luz, respetivamente.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-luzes-comparar-ritmos-1200.webp)

Faixas turquesa representam luz e faixas azul-escuras representam obscuridade. Os ciclos de oito segundos são fictícios; a luz fixa mantém-se contínua e não tem um ciclo de alternância.

### De «Rl br» nos apontamentos para «Fl W» na carta

Alguns materiais portugueses de formação usam abreviaturas como Rl, br, vm ou vd. Na notação internacional usada neste cartão, encontram-se Fl, W, R e G. É uma diferença de notação, não uma diferença na cor da luz.

| Nos materiais portugueses | Notação internacional aqui usada |
| --- | --- |
| Rl · relâmpagos | Fl |
| Is · isofásica | Iso |
| br · branco | W |
| vm · vermelho | R |
| vd · verde | G |

### O intervalo escuro também conta

Um grupo de três relâmpagos não significa um período de três segundos. O período mede-se entre pontos equivalentes de dois ciclos sucessivos, por exemplo entre o início do primeiro relâmpago de um grupo e o início do primeiro relâmpago do grupo seguinte.

![Num exemplo de Fl(3) com período de quinze segundos, três relâmpagos brancos de um segundo começam aos zero, três e seis segundos; o grupo seguinte começa aos quinze segundos.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-luzes-ritmo-periodo-1200.webp)

Branco representa emissão luminosa; azul-escuro, obscuridade. Sequência própria com durações fictícias: 1 + 2 + 1 + 2 + 1 + 8 = 15 s. A abreviatura, por si só, não fornece estas durações individuais.

Nesta sequência, a luz soma três segundos e a obscuridade doze. O intervalo final de oito segundos ajuda a separar os grupos, mas também pertence ao período. Não se contam os três relâmpagos e se ignora a pausa.

## Ao encontrar «Fl(3) W 15s 45m 18M»

Farol fictício para explicar a legenda

1. **Identificar o padrão:** grupos de três relâmpagos brancos.
2. **Ler o ciclo:** quinze segundos para a sequência completa, incluindo os intervalos de obscuridade.
3. **Separar altitude e alcance:** 45 m é a altitude do plano focal; 18 M é o alcance nominal. Não são dois valores de distância ao farol.
4. **Confrontar a identidade:** posição, cor e ritmo devem corresponder à ajuda procurada. Uma sequência semelhante, isoladamente, não confirma a identificação.

Mesmo com 18 M de alcance nominal, não se deve contar com a observação a 18 milhas em todas as circunstâncias. A transparência da atmosfera, o horizonte geométrico e as condições de observação podem limitar a visibilidade.

**Leitura completa:** «Luz branca com grupos de três relâmpagos, período de quinze segundos, plano focal a quarenta e cinco metros acima do datum de alturas e alcance nominal de dezoito milhas náuticas.» Para uma entrada na Lista de Luzes portuguesa, o datum da altitude é o nível médio do mar.

## Numa boia com a indicação «Fl R 4s 3M»

Característica fictícia; a função da marca não foi ainda estabelecida

1. **Ler a luz:** relâmpagos vermelhos, período de quatro segundos, alcance nominal de três milhas náuticas.
2. **Respeitar os campos que faltam:** esta indicação não fornece a altitude do plano focal. O 3M é alcance, não três metros.
3. **Ler a marca inteira:** procurar na carta a posição, a designação e a representação da boia ou baliza. Confrontar a forma, cores e marca de tope, quando existam.
4. **Identificar a convenção:** se for uma marca lateral, a região IALA e o sentido convencional de balizagem são indispensáveis. Uma luz vermelha não autoriza, sozinha, uma regra de passagem.

A cor da luz e a cor do corpo são informações distintas. Uma representação magenta da luz numa carta de papel não significa necessariamente que a luz observada é magenta: lê-se a abreviatura da cor.

**Se a mesma indicação estiver associada a uma baliza:** a leitura de Fl, R, 4s e 3M mantém-se. O que muda é a natureza da ajuda: uma estrutura fixa em vez de uma marca flutuante. A característica luminosa não transforma uma boia numa baliza, nem dispensa a leitura do símbolo e da posição.

## Seis cintilações seguidas de um relâmpago longo

Padrão normalizado de uma cardinal sul, quando dispõe de luz

**Q(6)+LFl 15s**, com luz branca, combina seis cintilações e um relâmpago longo num ciclo de quinze segundos. O relâmpago longo integra o ciclo; não se soma automaticamente um novo período de quinze segundos.

No sistema IALA, este padrão corresponde à cardinal sul. Há também a variante VQ(6)+LFl 10s. A leitura completa relaciona luz, marca de tope, cores e posição. A indicação cardinal refere as águas navegáveis a sul da marca relativamente ao perigo assinalado; não garante uma passagem em qualquer ponto desse quadrante nem elimina outras condições locais.

![Cardinal sul com dois cones pretos de pontas para baixo, corpo amarelo sobre preto e luz branca de seis cintilações seguidas de um relâmpago longo num ciclo de quinze segundos.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-luzes-cardinal-sul-1200.webp)

Marca cardinal sul e leitura do padrão Q(6)+LFl 15s. O desenho é esquemático, sem escala. As seis cintilações de 0,4 s, iniciadas de segundo a segundo, e o relâmpago longo de 2 s são uma sequência didática fictícia dentro do ciclo de 15 s.

1. **Contar o grupo:** seis cintilações, na sequência Q.
2. **Reconhecer o remate:** um relâmpago longo, com duração igual ou superior a dois segundos.
3. **Medir o ciclo inteiro:** os quinze segundos incluem as seis cintilações, o longo e os intervalos escuros.
4. **Relacionar com a marca:** na representação diurna, dois cones pretos com as pontas para baixo e corpo amarelo sobre preto. A posição da marca e o perigo assinalado dão o contexto de navegação.

## Separar a altitude, a altura da estrutura e o alcance

![Num corte fictício, um farol sobre um promontório tem o plano focal a quarenta e cinco metros acima do nível médio do mar, enquanto a estrutura mede doze metros da base ao topo.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-luzes-altitude-altura-1200.webp)

Corte próprio, com valores fictícios e sem escala: a altitude do plano focal mede-se desde o NMM; a altura da estrutura, da base ao topo. Neste desenho o plano focal fica abaixo do topo.

Nesta situação, escrever «torre de 45 m» seria errado: os 45 m chegam do NMM ao plano focal. A estrutura tem 12 m de altura porque a sua base já fica num terreno elevado. Estes valores também não dizem a profundidade junto à costa.

### Três alcances que respondem a perguntas diferentes

- **Nominal:** valor convencionado indicado na legenda, sob a condição de visibilidade meteorológica de referência.
- **Luminoso:** depende da luz e da transparência atmosférica nas condições consideradas.
- **Geográfico:** limite associado à curvatura da Terra, à altitude do plano focal e à elevação do observador.

O alcance possível resulta das limitações relevantes em conjunto. Mais altitude não elimina o nevoeiro; mais intensidade não permite ver através do horizonte geométrico. Um valor em M não é uma distância medida à luz.

Num caso apenas ilustrativo, se a condição luminosa permitir 12 M mas a geometria do horizonte limitar a observação a 9 M, o limite conjunto é, no máximo, 9 M. Não se escolhe o maior valor. O alcance nominal de 18 M do farol anterior não permite calcular sozinho estes dois limites, nem representa a distância a que o barco se encontra.

## Onde confirmar uma luz real

A carta dá uma síntese; a [Lista de Luzes, Boias, Balizas e Sinais de Nevoeiro do IH](https://loja.hidrografico.pt/produto/lista-de-luzes-volume-i-portugal-digital/)
 permite completar essa leitura. O volume I abrange Portugal Continental, Açores e Madeira e está disponível em formato digital gratuito. Conferir a edição disponibilizada e os Avisos aos Navegantes aplicáveis.

Na tabela, confrontar **número e nome, posição, característica e período, altitude, alcances, descrição/altura e observações**. As observações podem discriminar a duração das fases, setores de visibilidade e sinais de nevoeiro. A altura da estrutura aparece num campo diferente da altitude do plano focal.

### Setores, enfiamentos e sinais sonoros são informações distintas

**Setores de luz:** uma mesma ajuda pode mostrar branco, vermelho ou verde conforme a direção de observação. Uma indicação WRG não deve ser automaticamente lida como uma alternância temporal de três cores. Conferir os setores; na Lista de Luzes portuguesa, os limites são dados em azimutes verdadeiros do mar para a luz. Uma luz alternada, por sua vez, muda de cor na mesma direção de observação.

**Ldg:** identifica luzes de enfiamento. Não é o ritmo de um único farolim; a representação relaciona duas ou mais luzes e o alinhamento indicado na carta. Cada luz pode ter a sua característica e alcance.

**Horn, Siren ou outra indicação sonora:** descreve um sinal de nevoeiro com característica própria. Um período sonoro escrito junto da luz não substitui nem se soma ao período luminoso.

Para interpretar as condições atmosféricas que também influenciam a observação, consultar [como ler a previsão antes de sair para o Tejo](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/interpretar-previsao-tejo/)
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## Fontes e referências

- **Treino de Mar · Faróis — material de apoio de Patrão de Costa**PC_AulBas__M4-B__Farois_v2.pdf, pp. PDF 2, 4–12 e 14–21: fontes, notações portuguesa/internacional, características, período, altitude e alcances. Consultado em privado. As simplificações sobre cintilação são confrontadas com a classificação do IH.
- **IH · Manual de Navegação, disponível no Moodle**Capítulo 5, secções 5.1.2–5.1.3, pp. PDF 90–91, impressas 68–69: alcances, identificação, período, setores e sinais de nevoeiro. Cópia pedagógica histórica; terminologia confrontada com a Lista de Luzes consultada.
- [NOAA/NGA · U.S. Chart No. 1](https://nauticalcharts.noaa.gov/publications/us-chart-1.html) PDF fornecido, 13.ª edição, 15 de abril de 2019: P10–16, pp. 80–83; P20–23, pp. 83–84; P40–41, p. 86; Q1–11, pp. 91–93; marcas cardinais, p. 130. Símbolos INT distinguidos das convenções NOAA/NGA.
- [IH · Lista de Luzes, Boias, Balizas e Sinais de Nevoeiro, volume I](https://loja.hidrografico.pt/ln/web/wp-content/uploads/2025/12/Lista-Luzes-VOL-I-MAR2026.pdf) Versão de março de 2026 consultada: pp. PDF 10, 12–15 e 19–23, impressas ix, xi–xiv e xviii–xxii. Campos da tabela, altitude/altura, alcances, ritmos, setores e limites de observação. Para a utilização de uma ajuda real, obter a versão disponibilizada pelo IH e as atualizações aplicáveis.

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## Continue a explorar

[Como ler os símbolos de uma carta náutica →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/simbolos-carta-nautica/)
[Interpretar a previsão para navegar no Tejo →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/interpretar-previsao-tejo/)

Preparação editorial: Treino de Mar, com consulta das fontes indicadas. Exemplos didáticos; não representam previsões ou autorização para sair para navegar com uma embarcação.

[Ver todos](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/)
