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title: "Balizagem marítima: ler as marcas e compreender a passagem"
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excerpt: "Das cores e alvos à passagem indicada: compreenda cinco famílias de marcas, o sentido da balizagem e a leitura das luzes."
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## Reconhecer a família e a função da marca

A balizagem marítima ajuda a reconhecer os limites de um canal, a posição de um perigo e a função de uma zona ou instalação. Para interpretar uma marca, relacionam-se a sua posição na carta, as cores, a forma, o alvo e, quando tem luz, a cor e o ritmo luminosos. Nas marcas laterais, é indispensável conhecer também a região e o sentido convencional da balizagem.

 Uma boia é flutuante; uma baliza é fixa. O **alvo** é a figura colocada na parte superior da marca, como um cone ou uma esfera. O significado da família de marca não depende de estar instalada numa boia ou numa estrutura fixa. Este cartão explica cinco famílias: **laterais, cardinais, perigo isolado, águas limpas e especiais**. O sistema inclui outras marcas, como as de assinalamento de emergência de novos perigos. | Família | A pergunta a que responde |
| --- | --- |
| Laterais | Que lado do canal é assinalado, tendo em conta o sentido convencional? |
| Cardinais | Em que quadrante se encontra a passagem indicada em relação à marca? |
| Perigo isolado | Onde está um perigo de extensão limitada, com águas navegáveis em redor? |
| Águas limpas | Que marca indica águas navegáveis à sua volta, como numa aproximação ou no meio de um canal? |
| Especiais | Que zona ou configuração particular está identificada na carta e nas publicações? |

 As figuras seguintes são esquemas próprios, sem escala. Os canais e trajetos ilustrados são fictícios; não representam uma entrada de porto real. Para ler as abreviaturas das luzes, consultar também [como ler as luzes de faróis, boias e balizas](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/ler-luzes-farois-boias-balizas/)
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## Nas laterais, começar pelo sentido convencional

 Portugal adota a **região A**. Seguindo o sentido convencional da balizagem, as marcas de bombordo (BB) são vermelhas e as de estibordo (EB) são verdes. Em geral, esse sentido acompanha a aproximação do mar a um porto, rio ou estuário; pode também ser definido pela autoridade competente. É a carta e a documentação náutica que permitem confirmá-lo. | Região A | Bombordo do canal | Estibordo do canal |
| --- | --- | --- |
| Cor | Vermelho | Verde |
| Forma distintiva | Cilíndrica; também podem usar-se formas de fuso ou antena | Cónica; também podem usar-se formas de fuso ou antena |
| Alvo, quando usado | Um cilindro vermelho | Um cone verde com vértice para cima |
| Luz, quando instalada | Vermelha | Verde |

 Na família lateral, o grupo composto **Fl(2+1)** identifica as marcas modificadas que distinguem o canal principal; não é o ritmo das laterais correntes. Os números e letras ajudam a identificar cada marca; no regime português, a numeração acompanha o sentido convencional, com pares nas vermelhas e ímpares nas verdes. A identificação deve corresponder à carta. ### No regresso pelo mesmo canal, as cores não mudam de lugar

 Num canal fictício, o sentido convencional vai do mar para o porto. À entrada, a embarcação deixa a marca vermelha a bombordo e a verde a estibordo. Ao regressar ao mar pelo mesmo canal, a vermelha fica a estibordo da embarcação e a verde a bombordo. ![Região A num canal fictício: na entrada, vermelho a bombordo e verde a estibordo; no regresso ao mar, vermelho a estibordo e verde a bombordo da embarcação.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-balizagem-laterais-sentidos-1200.webp)

Planta esquemática com as marcas representadas em alçado. O sentido convencional é do mar para o porto neste canal fictício; as posições das marcas mantêm-se, enquanto a embarcação muda de sentido. Sem escala.

1. **Confirmar a região:** trata-se da região A.
2. **Localizar o sentido convencional:** neste caso, para o porto.
3. **Comparar com o movimento do barco:** a entrada acompanha esse sentido; o regresso contraria-o.
4. **Dar o bordo correspondente:** os lados da embarcação mudam em relação às marcas quando ela inverte o movimento.

 Na **região B**, as cores laterais invertem-se: verde a bombordo e vermelho a estibordo no sentido convencional. As formas distintivas mantêm-se: cilindro a bombordo, cone a estibordo. Esta diferença não inverte as cardinais, as marcas de perigo isolado, as de águas limpas ou as especiais.

## Uma faixa de outra cor pode indicar o canal principal

 Quando o canal se divide, uma marca lateral modificada pode indicar o canal principal. Na região A, uma marca **vermelha com uma larga faixa horizontal verde** indica canal principal a estibordo da marca, no sentido convencional. A luz, se existir, é vermelha, com grupos compostos **Fl(2+1) R**. A combinação inversa — **verde com faixa horizontal vermelha** — indica canal principal a bombordo da marca, com luz **Fl(2+1) G**, quando instalada. O ritmo agrupa duas emissões e depois uma; o número não é um período de três segundos. ![Marcas laterais modificadas na região A: vermelha com faixa verde e Fl(2+1) R para canal principal a estibordo; verde com faixa vermelha e Fl(2+1) G para canal principal a bombordo.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-balizagem-canais-principais-1200.webp)

Representações em antena das duas laterais modificadas da região A, com os alvos e as cores das luzes correspondentes. A leitura pressupõe o sentido convencional; confirmar a bifurcação e as condições dos canais na carta.

### Ao encontrar vermelho com faixa verde

 A embarcação segue o sentido convencional e encontra uma marca vermelha com faixa verde. A primeira leitura é «canal principal a estibordo da marca». Se o trajeto planeado seguir esse canal, a marca desempenha a função de lateral de bombordo para esse ramo: fica a bombordo da embarcação. Não se conclui que o outro ramo serve para qualquer calado ou está sempre disponível. «Canal principal» também não atribui, por si só, prioridade sobre outra embarcação: é uma informação de balizagem a relacionar com o planeamento e as regras de navegação aplicáveis.

## Nas cardinais, pensar em norte, leste, sul e oeste

 A designação de uma cardinal indica o quadrante pelo qual a marca deve ser passada. As cores são amarelo e preto, em combinações próprias; o alvo característico tem dois cones pretos. Quando há luz, ela é branca e usa uma sequência Q ou VQ. As cardinais têm o mesmo significado nas regiões A e B. ![Quatro cardinais: norte preto sobre amarelo com cones para cima; leste preto-amarelo-preto com bases dos cones frente a frente; sul amarelo sobre preto com cones para baixo; oeste amarelo-preto-amarelo com vértices frente a frente.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-balizagem-cardinais-1200.webp)

Esquemas de marcas cardinais com alvos e ritmos luminosos. As cores são lidas de cima para baixo. Os cones estão separados fisicamente; «bases» ou «vértices frente a frente» descreve a sua orientação. Luzes brancas, quando instaladas; sem escala.

| Cardinal e cores | Orientação dos cones | Luz branca |
| --- | --- | --- |
| Norte: preto sobre amarelo | Ambos para cima | Q ou VQ contínua |
| Leste: preto, amarelo, preto | Bases voltadas uma para a outra | Q(3) 10s ou VQ(3) 5s |
| Sul: amarelo sobre preto | Ambos para baixo | Q(6)+LFl 15s ou VQ(6)+LFl 10s |
| Oeste: amarelo, preto, amarelo | Vértices voltados um para o outro | Q(9) 15s ou VQ(9) 10s |

 O relógio ajuda a recordar os grupos: três a leste, seis a sul e nove a oeste. Na sul há ainda um relâmpago longo, que faz parte do ciclo. Na norte a cintilação é contínua: não se deve inventar um grupo de doze. Uma cardinal indica a passagem e a configuração da zona; não fornece um valor de profundidade nem garante todos os pontos de um quadrante para qualquer barco. A leitura dos fundos, da maré e do resguardo mantém-se necessária, como se explica no [artigo sobre ZH, sonda reduzida e profundidade](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/zero-hidrografico-profundidade/)
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## Uma cardinal leste não manda virar para estibordo

 Numa situação fictícia, a carta mostra um perigo a oeste de uma cardinal leste. O barco navega para norte e o trajeto planeado passa a leste da marca. O nome da marca refere um ponto cardeal, não um bordo do barco. ![Planta fictícia com norte no topo: perigo destacado a vermelho e preto a oeste da cardinal leste; passagem a leste da marca, com o barco a navegar para norte.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-balizagem-cardinal-leste-perigo-v2-1200.webp)

Planta fictícia com a marca em alçado e o perigo destacado por um sinal de aviso vermelho e preto, sem representar um símbolo cartográfico. O trajeto ilustrado fica a leste da cardinal; não indica uma derrota real nem uma distância de resguardo. Sem escala.

1. **Reconhecer a marca:** preto-amarelo-preto e cones com as bases frente a frente; de noite, luz branca com grupos de três, no ritmo e período correspondentes.
2. **Situar os pontos cardeais:** leste é determinado pela orientação, não pelo lado direito do ecrã de uma aplicação que pode estar rodada.
3. **Relacionar com o trajeto:** no desenho, o barco passa a leste da marca. Navegando para norte, deixa-a a bombordo.
4. **Perceber o que permanece:** se fizesse esse mesmo corredor no sentido sul, a marca ficaria a estibordo. A passagem continuaria a ser a leste dela.

 A extensão do perigo e o afastamento adequado são lidos na carta e no contexto da embarcação. A figura explica a relação espacial; não estabelece uma distância universal de passagem.

## Duas esferas pretas dizem algo diferente de uma esfera vermelha

 A marca de **perigo isolado** assinala um perigo de extensão limitada, com águas navegáveis à volta. É preta com uma ou mais faixas horizontais vermelhas e tem como alvo característico duas esferas pretas sobrepostas. Quando dispõe de luz, ela é branca, de grupos de dois relâmpagos: **Fl(2) W**. A marca de **águas limpas** indica águas navegáveis em redor da marca, podendo servir de aproximação, meio do canal ou referência de entrada. Tem riscas **verticais vermelhas e brancas** e um alvo de esfera vermelha, quando usado. A luz é branca e pode ser Iso, Oc, LFl 10s ou Mo(A), conforme a característica atribuída. ![Comparação de perigo isolado, preto com faixa horizontal vermelha e duas esferas pretas, com águas limpas, de riscas verticais vermelhas e brancas e uma esfera vermelha. Ambas podem ter luz branca, com ritmos distintos.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-balizagem-perigo-aguas-limpas-1200.webp)

Representações em antena para comparar cores e alvos. Nas águas limpas, Iso, Oc, LFl 10s e Mo(A) são alternativas, não quatro ritmos simultâneos. A letra A em Morse corresponde a ponto-traço.

### Ao identificar uma marca de perigo isolado

 Observam-se duas esferas pretas sobre uma marca preta e vermelha. A carta confirma um perigo localizado. A conclusão não é «passar junto porque há água à volta», mas «identificar a extensão do perigo e escolher o resguardo adequado». A marca pode estar sobre o perigo ou junto dele; não se deduz uma distância segura apenas pelo tamanho da boia. «Águas limpas» também não significa ausência de limitações para qualquer embarcação. A marca não substitui a verificação de sondas, altura da maré, calado e restantes condições do local. As duas famílias podem ter luz branca; é o ritmo, juntamente com a identificação e a posição, que ajuda a distingui-las.

## Amarelo identifica uma finalidade que é preciso consultar

 As marcas especiais são amarelas. O alvo, quando utilizado, é um X amarelo; a luz, quando instalada, também é amarela, com característica própria que não deve confundir-se com os ritmos reservados a outros tipos de marca. Podem identificar, por exemplo, estações de aquisição de dados oceanográficos (ODAS), aquicultura, cabos ou condutas submarinas e áreas de utilização específica. A forma não deve criar confusão com a balizagem lateral. Não existe uma única regra de passagem ou uma proibição geral que se possa deduzir só da cor amarela. ![Marca especial com corpo amarelo e alvo em X amarelo. A eventual luz é amarela; a finalidade da marca deve ser consultada na carta e nas publicações náuticas.](https://treinodemar.pt/wp-content/uploads/2026/10/tm-biblioteca-balizagem-especiais-1200.webp)

Esquema de marca especial. O X amarelo é um alvo distintivo; o desenho não identifica uma zona concreta nem cria uma regra de acesso, fundeio ou passagem.

### Uma marca amarela perto de um possível ponto de fundeio

 O barco encontra uma marca amarela com X e a carta indica um cabo submarino na zona. A leitura faz-se em conjunto: reconhece-se a família especial, identifica-se a finalidade na carta e consultam-se as informações locais e eventuais restrições aplicáveis ao fundeio. Não se inventa uma distância de afastamento nem se conclui que é uma marca de amarração disponível. As boias de assinalamento de emergência de novos perigos, com azul e amarelo, são outra categoria. Não devem ser confundidas com uma marca especial inteiramente amarela.

## Confrontar a marca observada com a informação náutica

 Na carta, confirmar a posição, designação, simbologia e características da marca. Quando se trata de uma ajuda luminosa em Portugal, a [Lista de Luzes, Boias, Balizas e Sinais de Nevoeiro do IH](https://loja.hidrografico.pt/produto/lista-de-luzes-volume-i-portugal-digital/)
 acrescenta a descrição, luz e observações. Conferir também os Avisos aos Navegantes e a informação da autoridade competente para o local. Uma marca pode estar apagada, danificada ou fora da posição prevista. Cor, alvo, luz e posição devem formar uma identificação coerente. Para relacionar o objeto real com o símbolo cartográfico, consultar o [guia de leitura dos símbolos da carta náutica](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/simbolos-carta-nautica/)
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## Fontes e referências

- **Treino de Mar · Manual de curso PL/PC**PT_Manual__Manual Curso_PL-PC_v10.pdf, pp. PDF/impressas 38–41: laterais, bifurcações, cardinais, perigo isolado, águas limpas e especiais. Consultado em privado; as generalizações sobre o sentido da balizagem e o ritmo das luzes foram confrontadas com as referências oficiais.
- **Treino de Mar · Manual de Marinheiro**Manual Marinheiro_Light_VS_03.pdf, pp. PDF 37–40, impressas 36–39: famílias, cores, formas e alvos. As figuras e situações deste artigo são próprias; não são cópias das páginas dos manuais.
- [NOAA/NGA · U.S. Chart No. 1](https://nauticalcharts.noaa.gov/publications/us-chart-1.html) PDF fornecido, 13.ª edição, 15 de abril de 2019: apêndice 1, pp. 128–131; região A/B, cardinais e restantes marcas. A representação INT é distinguida das convenções nacionais e da apresentação ECDIS.
- [IALA · R1001 — The IALA Maritime Buoyage System](https://www.iala.int/product/r1001/) Edição 2.0, junho de 2023, PDF oficial consultado: secções 2.1–2.5, pp. 8–19. Sentido convencional, laterais modificadas, cardinais, perigo isolado, águas limpas e especiais.
- [Regulamento de Balizagem Marítima Nacional](https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/portaria/177-2016-74788784) Portaria n.º 177/2016, de 24 de junho, artigo 2.º; anexo, artigos 2.º–14.º: adoção da região A, sentido, numeração e caracterização das marcas. Fonte portuguesa consultada em 19 de outubro de 2026; os esquemas não substituem a informação local atualizada.

## Neste artigo

## Continue a explorar

[Como ler as luzes de faróis, boias e balizas →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/ler-luzes-farois-boias-balizas/)
[Como ler os símbolos de uma carta náutica →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/simbolos-carta-nautica/)
[ZH, sonda reduzida, altura da maré e profundidade →](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/zero-hidrografico-profundidade/)

Preparação editorial: Treino de Mar, com consulta das fontes indicadas. Exemplos didáticos; não representam previsões ou autorização para sair para navegar com uma embarcação.

[Ver todos](https://treinodemar.pt/biblioteca-nautica/)
